29 setembro 2007

A imensa distância entre o que você vê e o que você compra

Postado originalmente no Entropia

A essência da foto publicitária está em retratar da melhor forma o produto anunciado. Obviamente na fotografia de alimentos, todos os ingredientes são cuidadosamente escolhidos, e na composição do produto vários artifícios são utilizados para dar ao alimento uma bela aparência, tornando-o ainda mais apetitoso. A prática de vender sonhos, transformar necessidades em desejos é comum na publicidade, e para isto vale maquiar a realidade para transforma-la em algo um pouco fantasioso estimulando o consumidor.


Geralmente, estes lindos alimentos fotografados são incomíveis. Segundo site Don't Buy It, cuja missão é tornar os futuros consumidores mais espertos, os estilistas alimentares utilizam práticas nada apetitosas:
  • Quando fotografar sanduiches com sementes, como milho ou ervilhas, cole-as com cola tudo ou fixe-as com alfinetes.
  • Aplique spray a prova d'agua nas superfícies para evitar que elas fiquem úmidas.
  • Cozinhe apenas o lado externo das carnes e deixe o centro crú para deixa-la com uma bela aparência e aspecto de frescor.
  • Pinte as carnes, em especial hamburguers com óleo e pigmento marrom.
  • Para fazer as marcas de grill, use um metal bem quente como um ferro de solda por exemplo.
  • Utilize apenas as fatias centrais dos mais belos tomates e aplique neles uma mistura de glicerina e água para dar uma aparência de frescor.
  • Use toalhas de papel dobradas como fraldas para que a gordura e o sangue das carnes não escorram para o pão.
  • Escolhas folhas bem verdes, saudáveis sem marcas marrons ou falhas.

Quando Chris Locke, Doc Searls, David Weinberger escreveram em 1999 o Manifesto Cluetrain, estavam informando ao mundo que o consumidor estava mudando, e conectados e juntos ficaram muito mais inteligente que a soma de suas inteligências. O novo consumidor esta ficando cada vez mais refratário à publicidade. Veja que o filme sincero da Dove Evolution, que transformou-se em um imenso buzz, acabou por ganhar o Gran Prix de Cannes este ano, sem ter sido veiculado na TV. Este comportamento escancara para quem quer ver, que o consumidor quer sinceridade e transparência, quer interagir com pessoas e não com super-heróis ou ficção., quer realidade e não fantasia.

Para comprovar isto, basta uma simples busca no Google e econtrará centenas de posts e artigos que falam do tema "food advertising x reality". Uma das respostas que me chamou a atenção foi um link no Digg, cujo post recebeu até o momento 3866 votos e nada menos que 274 comentários.

Voltando ao aspecto dos alimentos, fica pergunta: Será que teremos de colocar fotos reais nas peças publicitárias ou teremos de fazer um bom marketing de serviços aliado a P&D para produzir alimentos cada vez mais parecidos com a suas fotografias?

Fontes: Boing Boing e Jeff Kay's the West Virginia Surf Report

27 setembro 2007

Take one na microssaia da modelo

Com certeza a agência Belga Duval Guillaume sabe trabalhar bem o imaginário coletivo masculino quando o assunto é a revista masculina Ché Magazine.

Qual o marmanjo que não gostaria de pegar o telefoninho da moça destacando-o desta microssaia ?

O slogan? "Deixe-nos sonhar com um mundo melhor"... E como!

Mais sobre as ações promocionais da Ché magazine, Ché - Affair, Ché leiteira, Ché garota video game, Ché lencol dos sonhos.

Fonte: Ads of the World

26 setembro 2007

Campanha contra a anorexia causa a desejada polêmica

Quem lembra daquelas polêmicas peças publicitárias da Benetton deve conhecer seu autor, o publicitário Oliviero Toscani. Toscani lança a polêmica novamente com uma controversa campanha contra a anorexia esta semana na Italia, coincidindo com um importante evento de moda.

Para este trabalho, Oliviero Toscani convidou a modelo francesa Isabelle Caro, de 31 anos, que há anos sofre de anorexia, e que diz estar fazendo tratamento, para protagonizar a campanha da grife Nolita.


A campanha ja esta dando resultado, os outdoors já viraram noticia nos principais canais de TV, jornais e revistas e ecoa pela blogosfera, produzindo um imenso buzz.

Conforme o blog Sem rótulo, independente de todo o atrito entre Toscani e o universo publicitário, é de se admirar a maestria de seus trabalhos quando a intenção é chocar.

Um aplauso para mais uma manifestação de atitude, de quem já escancarou a AIDS, o racismo, a guerra e a religião. E que não pare por aí.

E quem lembra da campanha sueca contra a anorexia que retratava bem o universo de quem sofre desta doença, mostrando como a anorexa é e como ela se vê. Bem interessante, mas não teve a mesma repercursão desta campanha de Toscani, que escolheu bem o timming para deflagra-la.

Fonte : Sem rótulo

16 setembro 2007

Passou a noite na casa do colega e no dia seguinte trabalharia com a mesma roupa?

"O que fazer quando o jantar com um colega de trabalho se transforma numa noite passada na casa dele e no dia seguinte nao há o que vestir para ir trabalhar? A loja online de roupas Bluefly sugere pedir pela internet."



Fonte: Blue Bus

12 setembro 2007

A Internet irá revolucionar a democracia

Deu ontem no portal INFO Online.

Don Tapscott, guru da administração de empresas e co-autor do best seller "Wikinomics" deseja ensinar aos governos como aproveitar o poder da internet para reinventar a democracia.

Tapscott é um defensor do conceito de Web 2.0, a Internet colaborativa, cujo conteúdo é gerado pela multidão.

Em "Wikinomics: How Mass Collaboration Changes Everything," publicado este ano, ele e seu co-autor Anthony Williams desafiam as empresas a revelar segredos comerciais na Web, a fim de obter as idéias de que precisam junto a pessoas que não trabalham para elas.

Eles mencionam histórias improváveis de sucesso como a da Goldcorp, uma empresa de mineração de ouro que vinha enfrentando dificuldades até divulgar na Web os seus dados geológicos secretos, convidando pessoas de todo o mundo a ajudá-la a encontrar novos depósitos de ouro --uma iniciativa que resultou em transformação da empresa.

Agora, a New Paradigm, organização de pesquisa criada por eles, está iniciando um projeto que envolveria governos, organizações não governamentais e cidadãos de todo o mundo em um esforço de revitalização do setor público.

"Quero mudar o mundo", disse Tapscott, sorrindo, quando perguntado sobre o que ele acredita possa ser obtido com sua iniciativa.

Tapscott, que está em meio a um projeto multimilionário de pesquisa das atitudes e hábitos de pessoas com entre 13 e 29 anos de idade, calcula que as pessoas mais jovens desejam participar da vida política, mas que não gostam de ouvir sermões de políticos.

"Minha geração cresceu assistindo TV, de modo que um modelo de mídia eletrônica de massa era aceitável", diz. Mas ouvir coisas como "sou político; assistam a este comercial em que passo 30 segundos detonando meu adversário", é irrelevante para o que ele chama de "geração N", a geração da Internet.

As idéias dele se baseiam na premissa de que a nova geração de pessoas que cresceram com a mídia digital difere fundamentalmente de gerações anteriores. "Esta é a primeira vez na história em que os jovens são as autoridades em algo importante," ele afirma.

10 setembro 2007

Apertem os cintos, o consumidor mudou !

Não se trata de uma nova versão da classica comedia pastelão, e sim de mais uma constatação de que o mercado mudou e continua mudando numa velocidade cada vez maior. Os sinais estão por toda parte: Este ano as verbas publicitárias digitais estão superando as mais tradicionais mídias, o mercado da comunicação está mudando, os publicitários não entendem de internet e o consumidor fica cada dia mais sabido e exigente, isto sem falar na quebra da comunicação corporativa por conta das redes sociais que ja são usadas como potentes ferramentas de CRM.

O perfil do novo consumidor vem sendo traçado com frequencia, alias cada dia fica mais dificil traçar algum perfil, o consumidor esta "derretendo" engordando a cauda longa que não para de crescer. Este novo consumidor é a antintese do consumidor de massa do passado. Antes consumia-se para pertencer à uma "tribo", hoje também! Só que as "tribos" diminuiram e ficaram mais diversificadas.

O agente catalizador da evolução sempre foi a infomação, hoje temos isto de sobra, alias temos em excesso. Com o advento da Internet cada consumidor de informação passa a ser um emissor de uma comunicação em rede, um ambiente liquido, onde a informação pode ser fragmentada, reconstruida, fundida e novamente fragmentada... No meio do ecossistema da nova comunicação, a publicidade é interpretada como ruído e é descartada na primeira fragmentação, ou pior, muitas vezes totalmente descartada antes mesmo de ser exibida.

Quem viveu os primórdios da Internet no Brasil deve lembrar como este mercado se comportava. Era um imenso latifundio a ser explorado, projetos e ideias mirabolantes surgiam a todo instante, o espirito empreendedor ganhava auras de desbravador, e a Internet parecia uma infidável mina de ouro. Vivemos hoje entropia semelhante no mercado da comunicação, a diferença é que encontrar a formula ideal pode ser a chave da sobrevivência em um futuro muito próximo.

Quebrando paradigmas
Tem muito profissional de comunicação que nunca vai entender o novo consumidor, e muito menos o que houve com o mercado de comunicação. Não que ele não tenha capacidade intelectual para isto, ele não conseguirá entender isto com os fundamentos teóricos e ferramentas usuais ele não possui uma vivência que permita este entendimento, não faz parte da sua cultura. Muitos paradigmas precisam ser quebrados:

  • Mídia - Esqueça mídia, para de pensar em mídia, pare de tentar tangibilizar um conceito que não se aplica ao novo consumidor. Mídia simplesmente não faz sentido para um público que tem a liberdade de escolher se quer ou não ser impactado pela propaganda. Lembre-se em tempos de comunicação líquida, o meio é a mensagem.
  • Internet não é midia - Internet não é midia, quem te disse isto? Internet hoje é um complexo ecossistema social que chamamos de ciberespaço. Chamar a internet de mídia é subestimar a sua capacidade, ela não chega a ser o metaverso em si, afinal ela esta muito presente no mundo real, mas possui autonomia suficiente para sê-lo. Temos de "destangibilizar" nosso conceito de mídia, a Internet congrega informações, serviços, lembranças e emoções, tudo em bits, tudo líquido.
  • Internauta é mãe ! - Tratar um usuário de internet por internauta é uma forma de distancia-lo, é trata-lo como um ser diferente. As interpretações podem ser desde uma forte dose latente do emitente em tentar manter seu status quo, como a simples tentativa de rotular um grupo de pessoas. Descontando a face emocional do discursso, sobra a ignorância. A nova cultura é a cibercultura, é a cultura da geração conectada, que a cada dia expande tanto horizontalmente quanto verticalmente atingindo indivíduos cada vez mais novos e mais velhos. Se sou um internauta posso afirmar que em muito breve todos seremos, então os diferentes erão os desconectados.
  • Vivemos cada vez mais conectados - Quem pensa que a internet fica no computador precisa rever seus conceitos. Foi risível a matéria do Fantástico deste fim de semana, onde uma mãe desesperada "desligou a internet" do filho viciado. Enquanto existir esta "guerra" entre o real e o virtual vão existir interpretações tendenciosas como estas. O problema é psicológico, o vício poderia ser em qualquer coisa. Mas voltando ao assunto, há muito a internet "saiu" do computador, hoje ela é acessível por wap (celular), pelo telefone (VXML) e integrando soluções com dispositivos como o RFID, além é claro da TV Digital que corre um sério risco de ser engolida pela IPTV. O certo é que vivemos cada vez mais conectados, nossas casas, carros, eletrodomésticos e o que mais for possivel imaginar estarão conectados.

Este artigo não tem a ambição de ser conclusivo, nem tem uma visão generalista, apenas tem por objetivo apontar fortes tendências. Ele foi motivado por um artigo que retrata a visão de profissional que é muito parecida com a minha, e como me resaltou o Gilberto Pavoni, ele possui a grife "Forrester Research". Eu na verdade pesquiso para montar a minha pequena agência que vai nascer mês que vem, mas construi um background suficiente para um cargo executivo em uma grande agência. O futuro? Who Knows the future?